PORTUGAL É COMO UMA GRANDE CIDADELA: EM CADA ESQUINA VEMOS, OUVIMOS E LEMOS ECOS DE UMA INCULTURA ESTAMPADA NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL. É TÃO PASSIVO O POVO DA CIDADELA QUE SE NÃO TIVER UM GUARDIÃO QUE INDEPENDENTE OLHE PELOS SEUS DIREITOS, OS INCULTOS QUE OS GOVERNAM FAZEM O QUE A REAL GANA LHES CONVIER.E A GLOBALIZAÇÃO QUE TÃO MAL CHEGOU À CIDADELA DÁ-LHE ARES DE FUTURISTA MEDIEVAL.
 


mudança


"Todo o mundo é composto de mudança". A Cidadela dos Incultos nos últimos tempos sofreu um desgaste qual casamento após os 5 primeiros anos. Brincadeira à parte a verdade é que o blogue estagnou e precisa de nova aragem. Nova linha editorial. Os meus co-autores ainda não foram informados - porque perdi o contacto de alguns - mas o blogue muda-se para o wordpress. O objectivo é que este se torne mais cívico, com discussão sobre política, sociedade, costumes, etc.
Quem quiser seguir esta linha será bem-vindo quem não quiser amigos como dantes sem mais nem menos, porque a amizade é outra coisa ainda para além disto dos blogues. A todos os que atentamente seguiram este blogue um muito obrigado. A programação segue dentro de momentos. Candidatos a escrever lá? É só enviar mail para kontrastes@sapo.pt
 
Novo Endereço do blogue: www.cidadeladosincultos.wordpress.com (clicar).
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mudanças precisam-se


Caros amigos e co-autores: a Cidadela dos Incultos é um blogue que tem estagnado e se afastou do objectivo para o qual foi criado. Falta polémica, falta análise, crítica, está parado, chato e pouco apelativo. Temos de lhe dar novo gás. Para melhor entenderem a linha que se deseja neste espaço ficam exemplos: Causa Nossa, Blasfémias, Bichos Carpinteiros, etc.
 
O Vosso Amigo Fundador
 
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Simplex, como há cinquenta anos...


Se desejasse escrever sobre as efemérides deste dia 24 de Agosto, não faltaria assunto. Poderia referir que foi neste dia, mas no ano de 79, que a cidade de Pompeia foi destruída pela erupção do Vesúvio; que Roma foi saqueada por Alarico em 410; que Calcutá, na Índia, foi fundada em 1690; ou que o aeroporto da Horta (Açores) foi inaugurado também no 24º dia de Agosto, ano de 1971.

Nasceu também neste dia muita gente importante: o rei João I de Castela, em 1358; o escritor argentino Jorge Luis Borges, em 1899; Yasser Arafat, em 1929 (embora o dia exacto do seu nascimento levante algumas dúvidas); o compositor francês Jean-Michel Jarre, em 1948.

No dia 24 de Agosto morreu igualmente muita gente: em 996, Hugo Capeto, primeiro rei francês da dinastia capetíngia; o político brasileiro Getúlio Vargas, em 1954; Éamon de Valera, político irlandês, em 1975. Entre outros, claro.

Mas parece-me igualmente de reter que hoje, 24 de Agosto, é o Dia do Artista. Este Dia do Artista faz-me lembrar um outro 24 de Agosto. Estávamos em 1959. O governo português de então propunha-se simplificar a administração pública e parecia empenhado em criar melhores condições de funcionamento na dita administração. Ora, neste preciso dia, há 47 anos, o Diário Popular fazia eco disso mesmo, nele se escrevendo: «Sabe-se estar o governo empenhado a valer em criar melhores condições de funcionamento dos serviços públicos, simplificar a tramitação dos processos, acelerar o expediente e o ritmo dos despachos, satisfazer as legítimas reivindicações dos utentes. […] Há que evitar desde o começo uma confusão: não devemos confundir simplicidade com simplismo».

Perguntar-se-á, no entanto, que tem este excerto do Diário Popular a ver com o Dia do Artista que hoje se comemora. Eu explico: é que essa ideia de simplificar, reformar e transformar a administração pública faz-me lembrar um "Artista" dos tempos modernos, de seu nome José Sócrates, que a ressuscitou e a baptizou de Simplex. Explicou-nos a seguir que ela seria uma das suas muitas panaceias que erradicariam todos os males de que sofre o comum cidadão deste país. Mas o nada comum José Sócrates, que infelizmente não deve ter lido este excerto de há 47 anos, tem o defeito de confundir aquilo que o jornalista de antanho avisou que não devia ser confundido: simplicidade com simplismo. Vai daí, parece-me que terá tanto sucesso quanto o do seu congénere de há cinquenta anos. Temos, portanto, mais do mesmo. Quiçá mais Complicadex ainda. Ou não conhecesse eu o “Artista” de ginjeira…

P.S.: Sabiam que o vulgar herpes se chama Herpes Simplex? Quem não acreditar, pode confirmá-lo em vários sítios da Internet. No PortugalGay, por exemplo, que talvez tenha sido o sítio donde o “Artista” tirou a ideia.

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A notícia da tentativa terrorista de fazer explodir aviões em pleno voo, numa altura em que eu próprio fui a Londres, epicentro da trama, fez-me detestar ainda mais (se é que é possível detestar ainda mais do que já detestava) o excesso de religiosidade, ou seja, o fundamentalismo religioso.

A religião católica nunca se livrará do estigma da Inquisição, que perseguiu e matou grandes personalidades, insubstituíveis homens de grande mérito, do melhor que este mundo já viu. Uma das coisas mais tenebrosas desses tempos inquisitórios é saber-se que o povo, do qual normalmente se diz que não tem culpa das barbaridades que acontecem, assistia aos autos-de-fé como se de uma festa se tratasse, e era esse mesmo povo que, em nome do catolicismo, denunciava aqueles que professavam outras religiões. Depois dos séculos negros do catolicismo, hoje outra religião se destaca pela negativa, em pleno século XXI, e com a complacência de muitos que não pertencem a essa tenebrosa e tipicamente medieval religião, o Islão. Fico boquiaberto quando ouço pessoas ocidentais livres, oriundas da Europa que, a tanto custo, conseguiu uma liberdade e um bem-estar que não existem noutro local do mundo, a pactuar com a ameaça islâmica, fazendo tudo por tentar compreender as acções violentas dos muçulmanos, e dizendo perceber regimes como o do Irão, por exemplo. A praga do Islão com tiques inquisitórios parece estar a ganhar demasiados adeptos. A Europa recebe-os de braços abertos. O Reino Unido, por exemplo, tem milhares deles já com nacionalidade britânica. Ao contrário dos Estados Unidos, onde a ameaça surge, normalmente, de fora, o Reino Unido anda constantemente a ser atacado pelos seus próprios cidadãos muçulmanos. No entanto, quando uma nação como Israel se tem que defender dos seus vizinhos terroristas, lá ressurge o anti-semitismo na Europa, cujas simpatias vão para os muçulmanos, sempre a fazer o papel de “coitadinhos”.

Os europeus não se apercebem sequer do ridículo que é andarem em manifestações contra Israel, quando a ameaça terrorista já cá está dentro de portas. Enquanto os países muçulmanos prendem pessoas que se convertem ao cristianismo, prática que os católicos usavam na Idade Média, e enquanto ameaçam toda a gente cujo único crime é não ser muçulmano, os europeus andam preocupadinhos com as mortes de muçulmanos, dizendo que estes não têm culpa de nada. Aquilo que todos sabemos, por exemplo que os terroristas do Hezbollah têm um apoio massivo de grande parte dos libaneses, tentamos ignorar. A Europa gosta de culpar os israelitas porque estes fazem vítimas entre os civis. A Europa parece não ter inteligência para deduzir que os israelitas matam civis porque estes se misturam com os terroristas, protegendo-os. Num quadro destes, não há forma de eliminar os terroristas sem apanhar civis pelo meio. Pelo contrário, na parte israelita, está muito bem definida a diferença entre militares e civis. Os palestinianos ou os libaneses do Hezbollah só matam civis porque assim o desejam. Enquanto os israelitas tentam salvar as suas crianças, os islamitas põem-nas debaixo das bombas para depois as exibirem mortas e conquistarem a simpatia dos imbecis ocidentais. Tudo é válido para essa gente. Por isso fazem explodir aviões e os levam de encontro a edifícios civis. Mas isso não parece preocupar os europeus. Estes andam mais entretidos com o seu histórico ódio àqueles que nunca lhes fizeram mal nenhum: os judeus.

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De volta!



De volta estou, com novas forças. O tempo que me é deixado para escrever este post não é muito portanto deixo-vos apenas uma das canções que mais me marca na minha vida de guia (ver site da AGP). É uma canção cheia de força e com uma mensagem lindíssima. Ah, a foto é minha, da fogueira de um dos fogos de conselho que ocorreram no Acampamento Nacional, onde fui. Até ao próximo sábado.

Fogo Antigo
Anda um Fogo Antigo
Neste Mar Concreto
Labaredas de Água
Quem as Vê de Perto
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Árvores que Acendem
Pássaros no Vento
Labaredas de Água
Quem as Vê Crescendo
________________________
Fogo que Mantido
Por Mão Jovens Dadas
Não se Perde Nunca
Nunca Mais se Apaga
______________________________
Toda a Noite Vela
Nem de Dia Dorme
Fogo Antigo e Novo
Mal se Vê de Enorme

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Foi neste dia 10 de Agosto, mas de 1519, que o português Fernão de Magalhães partiu para a sua viagem de circum-navegação. Partiu, no entanto, de Sevilha, ao serviço do Rei castelhano. Portugal fora-lhe ingrato, na figura de seu Rei D. Manuel I. Depois de ter passado nove anos a batalhar pela Coroa portuguesa em terras do Oriente e de tudo o que para ela conquistou, muito pouco lhe coube em sorte. Iria ainda a Marrocos, onde seria ferido no joelho. A coxear, apresenta-se ao Rei em 1514. Diz-lhe que a sua pensão mensal de 1850 reais é muito curta, e pede-lhe mais… 100 míseros reais. D. Manuel recusa, não só os 100 reais, mas também o comando de uma nau para a Índia. A eterna ingratidão dos senhores donos do Império português. Magalhães parte para Sevilha. A História repete-se (e continua a repetir-se hoje vezes sem conta): os grandes portugueses vão quase sempre buscar lá fora a glória que Portugal lhes nega.

Magalhães mostra cartas ao futuro rei castelhano, D. Carlos, e mostra-lhe a ele e aos conselheiros uma escrava de Sumatra que causa admiração a todos, que nunca tal haviam visto. Alguns comandantes espanhóis não verão com bons olhos serem comandados pelo Almirante português, mas assim acontecerá. Entretanto, no país das más decisões e consequentes arrependimentos, D. Manuel vira o bico ao prego e implora a Magalhães que volte, sob promessa de lhe dar tudo o pedido e mais. Magalhães, homem de palavra, já a tinha dado aos castelhanos, e recusa. A Igreja revela também a sua essência, e um bispo português propõe o assassinato de Magalhães. Mas a oportunidade para tão maléfico feito não surgiria. Ao serviço da Coroa espanhola partem, pois, a Trinidad, a San Antonio, a Concepción, a Victoria e a Santiago, tripuladas por espanhóis, portugueses, italianos, ingleses, alemães e até mouros e cipriotas. Os espanhóis desconfiam da técnica portuguesa de navegar executada por Magalhães, totalmente desconhecida para eles. Amotinam-se, mas são subjugados por Magalhães.

A Santiago naufraga, a San Antonio deserta. As três naus restantes conseguem passar o estreito que ainda hoje é o de Magalhães, e é assim alcançado o Oceano que a Magalhães lhe pareceu Pacífico e que também mantém hoje o nome. Já as ilhas de São Lázaro viriam a ser renomeadas: Filipinas, em homenagem a Filipe II. E é nelas que Magalhães perde a vida. O Almirante havia convertido ao cristianismo o Rei de Cebu, não pelas armas, mas pela sedução argumentativa. E nomeia-o senhor do Arquipélago. Mas o rei da ilha de Mactan não quer reconhecer a sua autoridade. Magalhães desembarca em Mactan, mas os recifes de corais não permitem a aproximação dos escaleres armados. Os nativos cravam-lhe setas. Um tripulante italiano escreveria mais tarde: “Assim tiraram a vida ao nosso espelho, à nossa luz, ao nosso amparo, ao nosso capitão fiel”. Com a sua morte chega a desordem. A Trinidad mete água e é abandonada e a Concepción é queimada. A Victoria, como se o seu nome fosse já um prenúncio, é a única a concluir a viagem, comandada por Sebastián Del Cano, com 18 homens que sobraram dos 250 à partida. Com as especiarias que carrega, paga os outros quatro navios, e ainda sobra lucro.

Fez-se desaparecer o diário de bordo de Magalhães, e Del Cano, um dos ex-amotinados, é glorificado. O feito de Magalhães estaria hoje esquecido. Mas não. Pigaffeta, o marinheiro italiano, continuou fiel ao Almirante português, mesmo depois de morto, e revelou a verdade sobre o seu grande Almirante, que os guiou a bom porto quando todos os outros já duvidavam. E assim morreu Magalhães, prestando a Espanha os altos serviços que Portugal recusou. Hoje é o Nobel Saramago, por exemplo, que, maltratado pelo seu país, procura refúgio em Espanha. E amanhã, quem será?

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Conquista de Ceuta – 1º passo da Expansão Portuguesa – Parte I



Os três filhos mais velhos de D. João I, Duarte, Pedro e Henrique, viviam naquela altura obcecados pela conquista de Ceuta. Tinham acabado de entrar na idade adulta, desejavam alcançar feitos ao nível dos seus gloriosos antepassados, obtendo o respeito do povo e também da nobreza.
Viviam-se tempos de paz com Castela, o Reino de Portugal prosperava. Mas a juventude, irrequieta almejava mais. Tinham ouvido falar dos feitos de seus avós contra os mouros e de seus pais contra o invasor castelhano. Ansiavam pelo seu momento de glória. Queriam ser armados cavaleiros combatendo pelo país.
Os três Infantes tentaram persuadir o pai. A tarefa mostrava-se árdua, pois embora D. João os ouvisse atentamente, não parecia disposto a avançar além-mar. Duas gerações distintas se opunham. Por um lado os ideias medievais personificados em D. João, pelo outro o espírito inovador e (já) renascentista de seus filhos.
A insistência dos jovens foi tal que D. João decidiu pensar no assunto. Enviou uma embaixada à Sicília, como pretexto, com o intuito de espiar a cidade de Ceuta. A comandar essa expedição foram Afonso de Mendonça e D. Álvaro Camelo.
De regresso, e após passagem por Ceuta, foi possível ao rei confirmar a viabilidade da tarefa que seus filhos desejavam levar a cabo. Por um lado a mística história contada por Afonso de Mendonça que recordou que na sua infância, numa viagem por aquelas bandas, tinha ouvido da boca dum velho, a profecia de que aquelas terras haveriam de ser conquistadas pelos portugueses. Por outro lado Álvaro Camelo, que mais prático, construiu uma improvisada maqueta da cidade, mostrando ao Rei e seus conselheiros que era possível a conquista daquela praça africana.
El Rei tinha ficado convencido, faltava agora convencer a outra grande figura do Reino, o grande herói nacional, o condestável, D. Nuno Alvares Pereira. A sua bênção a esta empreitada atrairia multidões de voluntários.

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